
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA LUIZ DE QUEIROZ - ESALQ
DEPTO. CIENCIAS BIOLOGICAS
LCB
BIOQUIMICA
Prof. Dr. LUIZ ANTONIO GALLO
AMINOÁCIDOS E PROTEINAS
Características Gerais dos Amino Ácidos:
São as unidades fundamentais das PROTEÍNAS
Todas as proteínas são formadas a partir da ligação em
seqüência com 20 tipos de aminoácidos
Existem,
além destes 20 tipos de aminoácidos principais, alguns aminoácidos especiais,
que só aparecem em alguns tipos de proteínas
Estrutura Química Geral
Os 20 tipos de aminoácidos possuem características
estruturais em comum, tais como:
A presença de um carbono central α (alfa), quase
sempre assimétrico; nas proteínas encontramos apenas "L" aminoácidos.
Ligados a este carbono central, um grupamento CARBOXILA,
um grupamento AMINA e um átomo de hidrogênio;
O quarto ligante é um radical chamado genericamente de
"R", responsável pela diferenciação entre os 20 AA. É a cadeia
lateral dos AA.
É o radical "R" quem define uma série de
características dos AA, tais como polaridade e grau de ionização em solução
aquosa.
É a polaridade do radical "R" que permite a
classificação dos aminoácidos em classes:
AMINO ACIDOS
ESSENCIAIS: são aqueles que não são sintetizados pelos humanos, e devem ser absorvidos diariamente através dos alimentos.
fenilalanina, isoleucina, leucina, lisina,
metionina, treonina, triptofano, histidina e valina
A arginina é considerada como um aminoácido semiessencial
por alguns autores. (em Belitz, H.
D; Grosch, W,; Schieberle, P John M. Food Chemistry (em inglês). 4ª ed. Berlin Heidelberg: Springer,
2009. Capítulo: 1. Amino Acids, Peptides, Proteins,
1070 p. p. 8-34. ISBN 978-3-540-69933-0)
Segundo
a polaridade dos seus radicais "R":
Aminoácidos com Radical "R" Apolar:
Possuem radical "R" geralmente formado exclusivamente por
carbono e hidrogênio - grupamentos alquila
São
hidrofóbicos e em número de 8:
Alanina
Valina
Leucina
Isoleucina
Prolina - Forma anel imina
Fenilalanina
Triptofano
Metionina - "R" contém enxofre
Aminoácidos com Radical "R" Polar Não-Carregado:
São
aminoácidos com radicais "R" contendo hidroxilas, sulfidrilas e
grupamentos amida;
São
hidrofílicos e em número de 7:
Glicina - o mais simples dos AA
Serina - "R" com função alcoólica
Treonina
- "R" com função alcoólica
Cisteína
- possui um radical sulfidrila
Tirosina
- "R" com grupamento fenol
Asparagina
- "R" com função amida
Glutamina
- "R" com função amida
Aminoácidos com Radical "R" Polar Carregado:
2 subclasses:
"R" Carregado Positivamente:
São AA diamino e monocarboxílicos, em número de 3:
Lisina
Arginina
Histidina
"R" Carregado Negativamente:
São AA monoamino e dicarboxílicos, em
número de 2:
Ácido Aspártico
Ácido Glutâmico
Tabela 1. Nome e abreviações dos 20 aminoácidos essenciais
presentes nas proteínas.
Aminoácido
|
Abreviação de três letras |
Abreviação de uma letra |
Alanina
|
Ala |
A |
|
Arginina |
Arg |
R |
|
Asparagina |
Asn |
N |
|
Ácido
aspártico |
Asp |
D |
|
Ácido
glutâmico |
Glu |
E |
|
Cisteína |
Cys |
C |
|
Glicina |
Gly |
G |
|
Glutamina |
Gln |
Q |
|
Histidina |
His |
H |
|
Isoleucina |
Ile |
I |
|
Leucina |
Leu |
L |
|
Lisina |
Lys |
K |
|
Metionina |
Met |
M |
|
Fenilalanina |
Phe |
F |
|
Prolina |
Pro |
P |
|
Serina |
Ser |
S |
|
Tirosina |
Tyr |
Y |
|
Treonina |
Thr |
T |
|
Triptofano |
Trp |
W |
|
Valina |
Val |
V |
Fonte: Lehninger, 2004.

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Aminoácidos em Solução Aquosa:
Propriedades Químicas e Elétricas
Os aminoácidos são ANFÓTEROS pois, em solução aquosa, comportam-se
como ácido E como base, formando ÍONS DIPOLARES, a saber:
O grupamento carboxila ioniza-se em solução aquosa liberando próton, e
adquirindo carga negativa;
O grupamento amina ioniza-se em solução aquosa aceitando próton e adquirindo
carga positiva.
Este comportamento depende do pH do meio aquoso em que
o aminoácido se encontra:
Em meio ácido, os AA tendem a aceitar prótons, comportando-se como base e
adquirindo carga positiva - ionizam em seus radicais amina
Em meio básico, os AA tendem a doar prótons, comportando-se como ácidos e
adquirindo carga negativa - ionizam-se em seus radicais
carboxila.
O valor de pH onde as cargas elétricas do aminoácido
se igualam e se anulam chama-se PONTO ISOELÉTRICO, ou pH ISOELÉTRICO.
Curva de Titulação de Um Aminoácido
Ao titularmos um aminoácido monoamino e monocarboxílico,
temos o seguinte comportamento:
Ponto 1: +NH3CHRCOOH
= AA totalmente protonado
Ponto 2: [+NH3CHRCOOH]
= [+NH3CHRCOO-]
Ponto 3: +NH3CHRCOO-
= Ponto Isoelétrico = Íon Dipolar ou
"Zwitterion".
Ponto 4: [+NH3CHRCOO-]
= [NH2CHRCOO-]
Ponto 5: NH2CHRCOO-
= AA totalmente desprotonado
OUTROS PEPTÍDEOS E A.A.
AMANITINA
PEPTÍDEO TÓXICO EXTRAÍDO DE FUNGOS
GRAMICIDINA
ANTIBIÓTICO
ORNITINA
CICLO DA URÉIA
a d -DIAMINOBUTÍRICO
NEUROLATIRISMO
CITRULINA
MELANCIA
Aminoácidos
incomuns em algumas proteínas
Só
ocorre raramente em proteínas. Como exemplo tem-se a hidroxiprolina e
hidroxilisina que ocorre no colágeno e gelatina; ácido aminoadípico que ocorre
em proteínas de milho; N-metilarginina e N-acetilisina que ocorrem em histonas.
Aminoácidos
não encontrados em proteínas
Epinefrina
ou adrenalina derivada da tirosina, que é um hormônio importante; penicilamina,
que é um constituinte da penicilina; citrulina, precursor da arginina;
serotonina, derivado do Trp e é um neurotransmissor; histamina, derivado da His
e também é um neurotransmissor. A epinefrina, serotonina e a histamina não são
aminoácidos, porém, muito relacionados.
Os
grupos NH2 e COOH possuem reatividade química
similar. No entanto, os radicais laterais possuem reatividades específicas.
Esses últimos determinam as funções biológicas das proteínas.
Um
grande número de reações com os radicais laterais permitem identificar os aa funcionais nos sítios ativos das enzimas.
Algumas
propriedades dos aa
1.
Atividade ótica dos aa.
Toda substância que possui um carbono com quatro radicais
diferentes, elas ocorrem na forma de dois isômeros óticos, isto é a atividade
ótica da molécula de girar o plano de polarização da luz para direita (horário)
ou para a esquerda (anti-horário).
Além disso todos os aa encontrados em proteínas são da
configuração L.
Configuração L e D é a estrutura em relação à configuração L e D do
gliceraldeído. Essas configurações são semelhantes às representações da
molécula e da sua imagem em um espelho.
2.
Propriedade espectroscópica. São propriedades de absorção e emissão de energia
de diferentes freqüências. Como exemplo a maioria dos aa
absorve diferentes freqüências da luz UV e todos absorvem a luz infra
vermelha, porém, nenhum absorve a luz visível.
2.
Propriedade de
separação. Os aa podem ser separados por cromatografia
de vários tipos em especial através de HPLC (Cromatografia líquida de alta
precisão), cromatografia de troca iônica, gasosa, em papel, eletroforese, etc.
É a classe de substância mais abundante das células, representando mais de 50%
do peso seco e é responsável pela imensa variedade de todas as funções
celulares.
São polímeros lineares de aa. Formado pela união do
grupo carboxila do primeiro aa com o amina do segundo seguida da liberação de
uma molécula de água.


Classificação
dos peptídeos
Quando o número de aa é até 12, são
classificadas em dipeptídeo, tripeptídeo, etc. Cadeias com 12 a 20 aa são
denominadas de oligopeptídeos. Cadeias maiores são chamadas de polipeptídeos.
Classificação
das proteínas
As proteínas podem ter uma ou mais cadeias polipeptídicas. Com
uma cadeia são chamadas de monoméricas. Com mais de uma
cadeia são chamadas de multiméricas ou polimericas.
As multiméricas são classificadas em homomultiméricas quando as cadeias
polipeptídicas possuem apenas um tipo de polipeptídeo, e de heteromultimérica
quando possuem mais de um tipo.
As multiméricas são designadas por letras gregas com índices para indicar a
composição. Por exemplo, A 2 corresponde a um homodímero. A ribonuclease A
bovina é do tipo A1. Já a hemoglobina humana é do tipo A2 B2.
O comprimento das cadeias polipeptídica varia de 100
aa até 1800 aa (miosina). Normalmente pelo menos um dos 20 aa ocorre nas
proteínas. Só em algumas pequenas que pode faltar um dos 20 aa.
Cada proteína tem uma sequência única de aa que é
determinada pela sequência de bases do DNA que lhe deu origem. A leitura da
sequência de aa é feita a partir do aa N terminal para o aa C terminal, ( C).
Arquitetura
das moléculas de proteínas
1.
Estrutura das proteínas.
a. Estrutura
primária. Corresponde
à seqüência de aa. Considerando que 20 aa diferentes
podem participar das proteínas, é praticamente infinito o número potencial de
proteínas diferentes. Para se ter idéia desse número,
ele é dado por 20n arranjos possíveis, para proteínas com n aa. Para
proteínas com n = 100, um número relativamente pequeno de aa, 20100
= 10130 arranjos. O peso molecular médio de uma proteína com n = 100
aa = 13.800 Da. Se considerarmos a massa de todas as proteínas com 100 aa, com
uma molécula cada, ela seria 1,38 x 104 da x 10130 = 1,38
x 10134 Da. A massa estimada do universo é de 1080 Da e,
evidentemente, ela contém muitas outras substâncias além de proteínas. No
entanto, devemos considerar que todas as proteínas são provenientes de DNA e,
portanto, o número de arranjos de proteínas depende do DNA.
b. Estrutura
secundária. É
proporcionada por pontes de H, entre os radicais C=O e N-H, entre aa
adjacentes. A ligação peptídica fundamental das proteínas gera uma interação
C-N de forma a forçar todos os átomos (C, N, O, H e os C a adjacentes) a
ficarem no plano. É necessário energia para girar a estrutura. Os planos C-N (C da carboxila de um aa e N da amina do
adjacente) podem girar no C a. Segundo Stryer(1987) a estrutura secundária é
formada por pontes de H de aa próximos.


A
primeira estrutura descoberta foi chamada de ALFA
HELICE. A cadeia assume uma estrutura helicoidal pelas interações C=O com
N-H, formando pontes de H. Cada volta da cadeia tem 3,6 resíduos de aa e ocupa
um espaço de 5,4Å (3,6 x 1,5Å =1 aa). A hélice tem 6Å de diâmetro
desconsiderando as cadeias laterais. O C=O de 1o aa forma ponte com
o N-H do 4o aa à frente para formar a ponte de H. Todos os C=O
apontam para uma direção e os H-N para a direção oposta na hélice, formando a
ponte de H paralela a hélice.
O número de aa em cada segmento de a- hélice varia de
proteína para proteína. Em média ocorrem 10 aa por segmento.
Uma segunda estrutura também muito comum e a segunda a ser descoberta é a folha
pregueada b (ou lamina beta). Neste caso a cadeia peptídica dispõe-se em zigue-zague, com o
Ca nos ângulos e o Cb (cadeia lateral) saindo desses
ângulos. Daí folha pregueada b. Cada cadeia em zigue-zague associa-se com
outras semelhantes que são unidas por pontes de H. A estrutura típica pode ser
esquematizada se cada cadeia for representada numa fita de papel em
zigue-zague, e as fitas forem colocadas lado a lado.
A cadeia em zigue-zague dispõe-se ao lado de outras de forma paralela ou
antiparalela. Na paralela as cadeias adjacentes são N-->C ou C-->N. Um
detalhe importante é que as pontes de H são somente inter-cadeias.
O arranjamento paralelo das cadeias é mais regular do que o anti-paralelo
(situação angular dos átomos). Além disso a estrutura
paralela é maior, geralmente com mais de cinco peptídeos. A antiparalela pode
ter até dois peptídeos.
Na paralela as cadeias laterais hidrofóbicas ficam dos dois
lados da cadeia. Já na antiparalela as hidrofóbicas só ficam de um lado, o que
requer a disposição alternada de resíduos hidrofílicos e hidrofóbicos na
estrutura primária.

A antiparalela é a estrutura básica da seda e a cadeia dispõe-se paralela à fibra.
Assim, as propriedades da fibra são semelhantes à da cadeia, isto é, são muito
flexíveis porém, não é elástica.
Uma terceira estrutura é a curva b. Como há muitas
proteínas globulares a cadeia tem de dobrar para ficar globular. Nesse caso, o
C da carboxila do primeiro aa (C-O) forma ponte de H com radical amida do
terceiro aa à frente, dando estabilidade a estrutura. Com isso a cadeia inverte
a orientação e forma uma folha pregueada b anti-paralela.
O aa glicina (sem cadeia lateral) é um dos mais
adaptados para a curva.
Uma quarta estrutura é a protuberância b que corresponde a
uma irregularidade na estrutura b (folha pregueada) antiparalela. A
protuberância ocorre entre duas pontes de H da estrutura BETA e corresponde a um aa extra em uma cadeia. Nessa cadeia mais longa forma uma
ligeira curvatura na folha pregueada.
c. Estrutura terciária. É o dobramento
de uma cadeia polipeptídica no espaço tridimensional. A sequência de aa é quem determina o tipo de estrutura terciária. Além
disso, a estrutura terciária é a responsável pela maior estabilidade das
proteínas, como conseqüência de um grande número de pontes de H intramolecular,
entre radicais distantes de aa da seqüência linear. Tal estrutura contribui
para reduzir superfície acessível à solventes.
Tem sido notado que uma dada estrutura terciária tem a possibilidade de assumir
várias formas alternativas, no entanto, só uma, a forma nativa, é a correta e é
termodinamicamente a estrutura mais estável. Um exemplo dessa
fato foi verificado com a ribonuclease bovina, que possui 124 aa e 4
pontes S-S. Quando se desnatura a proteína com mercaptoetanol e uréia e,
em seguida promove-se a oxidação da cadeia desnaturada no ar, ocorre a sua
renaturação na forma nativa (enzima ativa), do seguinte modo:
Ribonuclease + beta- mercaptoetanol + uréia 8M cadeia
polipeptídica sem as pontes S-S (reduzida ou desnaturada ) (diálise para
retirar a uréia e o beta - mercaptoetanol) (oxidação no ar)
renaturação da forma nativa
(enzima ativa).
As oito Cys da ribonuclease podem se combinar em 105
formas diferentes para formar as quatro pontes S-S, porém, destas só uma é a
enzimaticamente correta.
d. Estrutura
quaternária. Muitas proteínas são
formadas de mais de uma unidade e forma um oligômero. Se a unidade do
oligômero é de um só tipo tem-se um homomultímero, porém, se for de mais
de um tipo, tem-se um heteromultímero. Como exemplo, a proteína do TMV
(17), proteína da capa do vírus do nanismo do tomate (180), álcool
desidrogenase (2), hemoglobina (2+2), etc.
As subunidades primeiro adquirem a estrutura terciária
globular, após, elas se associam por interações hidrofóbicas polares, pontes de
H e interações de Van der Waals.
Nos oligômeros as associações dos peptídeos podem ser entre
subunidades idênticas e entre não idênticas.
As interações entre idênticas podem ser homólogas e heterólogas.
As interações homólogas correspondem às associações de subunidades com
superfícies idênticas gerando uma estrutura dimérica (fechada) com duplo eixo
simétrico.
As interações heterólogas correspondem às associações de subunidades com
superfícies diferentes. Elas são complementares mas
não simétricas e com finais abertos. Pode ocorrer a formação de polímeros
longos ou cilíndricos (mais comuns).
As associações de subunidades na estrutura quaternária são devidas a interações
de Van der Waals, pontes de H, pontes iônicas e interações hidrofóbicas.
Interações de Van der Waals são forças de repulsão e atração geradas por
indução instantânea de dipolos, que surgem por causa das flutuações na
distribuição de carga dos elétrons de átomos vizinhos não ligados.
Pontes de H ocorre na presença de radicais C=O e N-H
quando próximos C-O-..H..-.-N.
Pontes iônicas ou interações eletrostáticas são atrações entre cargas
diferentes ou repulsões entre cargas iguais. Como exemplo, as extremidades do
peptídeo têm NH2 e COOH ionizados como NH3+ e COO-.
Também os radicais laterais dos aa podem ocorrer
ionizados.
Interações hidrofóbicas ocorrem com os radicais laterais não polares dos aa, que preferem se associar em ambientes não polares, do que
ficar no solvente polar como a água. Nas proteínas os aa
e radicais não polares orientam-se para o interior da estrutura protéica.
Um fator importante que contribui para a maior estabilidade de associação das subunidades são as pontes S-S (covalente). Como exemplo, todos os anticorpos são do tipo A e B sendo duas cadeias pesadas A e duas leves B. As pontes S-S ocorrem dentro das cadeias (intracadeias, sendo quatro em cada pesada e duas em cada leve) e também entre as cadeias (intercadeias sendo duas entre as pesadas e uma entre cada par pesada leve).
Vantagens da estrutura quaternária:
Menor
superfície por volume, proteção de radicais hidrofóbicos e maior estabilidade
energética devido a interação externa com a água ser
energeticamente desfavorável.
Economia
e eficiência genética porque é gasto menos DNA para codificar um monômero que
se associa num homomultímero, do que um grande polipeptídeo com a mesma
massa molecular. Além disso, evita erros na associação quando ocorre uma subunidade
mutante.
Associam
sítios catalíticos. Muitas enzimas possuem mais de um sítio catalítico graças a união de monômeros, cada um com seu sítio. Como exemplo, a
DNA polimerase III da E. coli possui nove
subunidades e várias funções; a DNA polimerase a (pol a) e DNA polimerase b
(pol b), entre outras, que participam da replicação em eucariontes.
Cooperativismo.
Muitas enzimas oligoméricas, possuem vários sítios
ativos e a ligação de um sítio com o substrato afeta a afinidade de outros
sítios. Se a afinidade é aumentada, tem-se o cooperativismo positivo e, se é
diminuída, tem-se o cooperativismo negativo.
Outros
níveis de estrutura. Estudos de conformação,
função e evolução das proteínas
têm determinados mais dois níveis de estrutura (Stryer,
1995, p.31). Um deles é
a estrutura supersecundária que é intermediária entre a secundária e
terciária. Como exemplo, a estrutura bab de uma cadeia polipeptídica, composta
de um primeiro segmento com a estrutura secundária folha Beta pregueada, um
segundo segmento do tipo alfa hélice e um terceiro segmento do tipo folha b
pregueada. Outro nível de estrutura também considerado é o domínio, que
são regiões compactadas de uma cadeia polipeptídica as quais são unidas por
segmentos flexíveis (semelhante a colar de pérola). Cada domínio tem de 100-400
aa e é sintetizado nos eucariontes por um exon.
PROTEÍNAS
Estrutura quaternaria de proteina globular



Enzima de fungo (estrutura terciaria especial)








ESTRUTURAS QUATERNARIAS DE VARIAS PROTEINAS
2 - FORMA
As
proteínas podem ser fibrosas e globulares.
As proteínas fibrosas têm a estrutura simples
e linear. Elas possuem cadeias polipeptídicas organizadas em paralelo a um
eixo, produzindo longas fibras. São mecanicamente resistentes
e difícil de dissolver em água e soluções salinas. Têm papel estrutural
nas células. Como exemplo tem-se a fibroina da seda que é composta de
pilhas antiparalelas da folha BETA - pregueada. Outro caso é a a-queratina que
ocorre em unha, chifre e cabelo. Ela é formada de cadeias em a-hélice. Entre as
cadeias ocorrem pontes de H e ligação covalente, que são as pontes
dissulfídricas entre aa Cys. No caso do cabelo, quando ele é molhado e enrolado
com "bobs" e após secado, ocorre só em um
rearranjamento das pontes H. Porém, quando se faz permanente, as pontes S-S são
quebradas e após reorganizadas, muda o grau de curvatura do cabelo.
As proteínas globulares constituem-se na maioria das proteínas e são aproximadamente
esféricas. Isso ocorre porque a cadeia polipeptídica é dobrada. Os aa hidrofóbicos localizam-se internamente e os hidrofílicos
ocupam a superfície externa. Geralmente são solúveis em soluções aquosas.
Existe uma grande variedade de estruturas tridimensionais, mas todas têm ALFA
hélices e folha BETA- pregueada. A mais típica é a lisozima (129 aa) que tem
poucas pequenas ALFA hélices, poucas folhas BETA pregueadas e vários segmentos
peptídeos sem estrutura secundária definida.
As proteínas globulares são classificadas com base no arranjamento das
estruturas secundárias em quatro tipos: ALFA hélices antiparalelas; folha
BETA pregueada paralela ou mista; folha BETA-pregueada antiparalela; e
proteínas ricas em metal e pontes S-S.
A ALFA hélice antiparalela corresponde a proteína do
TMV, hemoglobina e mioglobina.
A folha BETA pregueada paralela ou mista é a segunda maior classe de proteínas.
A folha folha BETA pregueada paralela (aa hicrofóbicos
nos dois lados) forma o core da proteína, porque assim ela não fica exposta a
solventes. Outra estrutura é a ocorrência de oito cadeias de folha BETA
pregueada paralela,na forma de barril e cada cadeia é
flanqueada por ALFA hélice.
A folha BETA pregueada antiparalela, que possui aa hidrofóbicos em um só lado
da folha, pode existir no mínimo com duas camadas (cadeias) de fibras. Os lados
hidrofóbicos são justapostos e os hidrofílicos ficam expostos a solventes.
As proteínas ricas em metais pontes S-S são geralmente pequenas (possuem menos
de 100 aa) e possuem vários metais ligados (ferrodoxina) pontes S-S (insulina e
fosfolipase A2).
Toda atividade celular é dependente de uma ou mais proteínas. Quanto a função
as proteínas são classificadas em :
a. Regulatórias. Não realizam transformações
químicas e sim regulam as atividades de outras proteínas. Como exemplo a
insulina regula o metabolismo da glicose; existem aquelas que regulam a
expressão gênica ligando-se ao DNA ou ativando ou inibindo a transcrição,
ligando-se ao RNA (no caso do operon lac em E. coli a repressão da
transcrição se dá pela proteína repressora e a sua ativação pela proteína CAP).
b. Transportadoras.
Transportam substâncias. Por exemplo a hemoglobina que
transporta O2, proteínas que transportam substâncias, como glicose e
aa, de um lado para outro da membrana plasmática.
c. Armazenamento.
Muitas proteínas são usadas como reservatório de aa
essenciais como a ovoalbumina, caseina, zeina e faseolina.
d. Contráteis e móveis. Promovem
movimentos na célula, como a tubulina que participam da divisão celular
movimentando os cromossomos e a miosina, que é responsável por contração
muscular.
e. Estruturais. São as proteínas
responsáveis pelas estruturas biológicas entre elas as proteínas fibrosas
insolúveis como a queratina e o colágeno, e a fibroína da seda e teia de
aranha.
f. Protetoras. Como exemplo
tem-se as imunoglobulinas ou anticorpos; as toxinas como a da difteria, da
cólera e a ricinina em algumas plantas; e as líticas como o veneno de cobra e
de abelhas.
g. Exóticas. As proteínas anti-congelamento que ocorrem no sangue de peixes árticos e
antárticos são desse grupo.
h. Enzimas. Corresponde à
maior classe de proteínas sendo conhecidas mais de 2000. São substâncias que
catalisam reações acelerando sua taxa em até 1016 vezes. São
específicas em função e quanto a reação metabólica.
Pode-se
caracterizar as enzimas com base na:
a.
Força catalítica. Corresponde a intensidade que ela acelera a reação (até 1016)
em meio com temperatura e pH amenos;
b.
Especificidade. Que significa que elas são seletivas com a substância
(substrato) que ela interage e com a reação que catalisa. Numa reação
catalisada todo substrato é utilizado sem perda de nenhuma substância e
gera um produto específico. O reconhecimento do substrato pela enzima se
faz por complementariedade estrutural das moléculas. A enzima é considerada uma
fechadura e o substrato é a chave;
c.
Regulação. Da quantidade de produto, da velocidade de reação e interação
com outros metabólitos.
Classificação
das enzimas.
As
enzimas são denominadas e classificadas de acordo com a reação que ela
catalisa:
a. Oxidorredutases.
Reações de oxidação e redução. Oxidação corresponde a
perda de elétrons (O2) e redução correponde a ganho de elétrons (H2);
b. Transferases.
Transferem grupos funcionais (metil, carboxila, acetil);
c. Hidrolases. Realizam
hidrólises;
d. Liases. Adiciona dupla
ligação;
e. Isomerases. Forma isômeros;
f. Ligases. Forma
ligações com a quebra de ATP.
Muitas enzimas realizam
sua função catalítica usando só a estrutura protéica. Outras enzimas requerem
estruturas não protéicas chamadas co-fatores os
quais são íons metálicos ou moléculas orgânicas e são chamadas de co-enzimas.
Muitas co-enzimas são vitaminas. Elas são fortemente ligadas à
proteína (as co-enzimas) e quando ligadas são chamadas
de grupo prostético.
O complexo ativo
proteína + grupo prostético é chamado holoenzima. A proteína sem o grupo
prostético é chamada apoenzima.
Unidade da enzima. Em muitos casos a
quantidade molar de uma enzima não é conhecida. Assim a sua quantidade é
expressa em função da atividade. De acordo com convenção internacional 1U
equivale a quantidade de enzima que catalisa e a
formação de um micromol do produto em um minuto.
Isoenzimas. Algumas enzimas existem em mais de uma forma quaternária.
Depende da proporção dos polipeptídeos que ocorre na molécula. Embora todas formas sejam estruturalmente equivalentes, elas são
funcionalmente diferentes. Como exemplo a lactotodesidrogenase (LDH) ocorre
como 5 isoenzimas diferentes, dependendo da associação
tetramérica de duas subunidades diferentes (A e B): A4; A3 B;
A2 A2 ; AB3 ; B4.
SEQUENCIAMENTO
DE PROTEÍNAS
Em 1953, Frederick Sanger sequenciou a insulina, que é formada por duas cadeias
polipeptídicas, uma com 21 aa e outra com 30 aa. Este trabalho
foi um marco por estabelecer que as proteínas são polímeros lineares com uma
seqüência de aminoácidos definida.
Hoje cerca de 20.000 proteínas diferentes já foram seqüenciadas. Algumas usando-se o método de Sanger e a maioria determinada a
partir da seqüência de nucleotídeo do alelo que codifica a proteína.
Passos para o sequenciamento de uma proteína:
1. Em
proteínas com mais de uma cadeia polipeptídica, elas são separadas e
purificadas. No caso de heteromultímeros, as subunidades sempre são unidas por
ligações não covalentes tipo ponte de hidrogênio. Elas são dissociadas pela
exposição à pH extremos (uréia 8M) ou soluções salinas
com alta concentração. Em seguida as cadeias polipeptídicas são separadas com
base no tamanho ou carga;
2.
Clivagens de pontes S-S intracadeia (Cys-Cys). Se for intercadeia, elas são
eliminadas no primeiro passo com ácido perfórmico ou 2-betamercaptoetanol;
3.
Determinação da composição de aa de cada cadeia;
4.
Identificação do aa N terminal e C terminal;
5.
Clivagem da cadeia polipeptídica em pequenos fragmentos e determinação da
composição e seqüência de aa (método de Edman);
6.
Idem quinto porém, com procedimento diferente de
clivagem para se obter diferentes grupos de fragmentos e fazer sobreposições;
7.
Determinação da seqüência de aa da proteína a partir
das seqüências dos fragmentos imbricados;
8.
Localização das pontes S-S entre as Cys-Cys.
Método
de degradação de Edman.
Fenil
isotiocianato reage com NH2 do N terminal + ácido amIno
composto com o primeiro aa o qual é identificado por cromatografia.
Determina-se a seqüência de fragmento com até 50 aa.
Síntese
de proteína in vitro, quimicamente. A síntese é feita no sentido COOH
-->NH2 em fase sólida como suporte.
REVISÃO - LEITURA IMPORTANTE
Aminoácidos e Proteínas
INTRODUÇÃO
Proteínas são as macromoléculas mais abundantes nas
células vivas e constituem 50% ou mais de seu peso seco. Elas se encontram em
todas as células e em todas as partes das células. As proteínas também ocorrem
em grande diversidade; centenas de diferentes tipos podem ser encontradas em
uma única célula. Mais ainda, as proteínas têm diferentes papéis biológicos por
serem instrumentos moleculares através dos quais se expressa a
informação genética (Lehninger, 1984; Lehninger, 1991).
A chave da estrutura das milhares de proteínas diferentes entre si é o grupo de
moléculas de unidades fundamentais relativamente simples com as quais as
proteínas são construídas. Todas as proteínas, sejam das mais antigas linhagens
de bactérias ou das formas de vida mais evoluídas, são construídas com o mesmo
conjunto de 20 aminoácidos, unidos covalentemente em seqüências
características. Devido a cada um desses aminoácidos ter
uma cadeia lateral que lhes confere individualidade química, este grupo de
vinte moléculas de unidades fundamentais pode ser considerado como o alfabeto
da estrutura protéica (Lehninger,
1984; Lehninger, 1991).
É notável que as células podem juntar os 20 tipos de aminoácidos em variadas
combinações e seqüências para obter peptídeos (pequena cadeia de dois ou mais
aminoácidos) e proteínas com propriedades e atividades muito diferentes entre
si. Com estas mesmas unidades fundamentais organismos diferentes podem
construir produtos amplamente diversos como enzimas, hormônios, proteínas do
cristalino ocular, penas, teias de aranhas, casca de tartarugas, proteínas
nutritivas do leite, encefalinas, antibióticos, venenos de fungos e muitas
outras substâncias que têm atividade biológica característica (Lehninger,2004;
Lehninger, 1991).
Todos os 20 aminoácidos encontrados em proteínas têm em
comum um grupo carboxila e um grupo amino, ligados ao mesmo átomo de carbono.
Eles diferem um do outro por suas cadeias laterais, ou grupos R, as quais
variam em estrutura, tamanho, carga elétrica e solubilidade em água. Os 20
aminoácidos de proteínas são freqüentemente referidos como os aminoácidos
padrão, primários ou normais, para distingui-los de outros tipos de aminoácidos,
presentes em organismos vivos, mas não em proteínas. Os aminoácidos primários
receberam abreviações de 3 letras, ou um símbolo de
uma única letra (Tabela 1), que são usados para indicar a composição e
sequência dos aminoácidos em cadeias polipeptídicas.
As proteínas, cujo nome significa “primeiro” ou “o mais
importante” são as macromoléculas mais importantes das células e constituem
mais da metade do peso seco de muitos organismos.
As proteínas são instrumentos através dos quais é expressa
a informação genética. Assim como existem milhares de genes no núcleo celular,
cada um especificando uma característica distintiva do organismo existem, correspondentemente, milhares de diferentes
espécies de proteínas na célula, cada uma executando uma função específica
determinada por seu gene. As proteínas, dessa forma, não são apenas as
macromoléculas mais abundantes, mas também são extremamente versáteis em suas
funções.
É extraordinário que todas as proteínas em todas as
espécies, independentes de sua função ou atividade biológica, sejam construídas
com o mesmo grupo de 20 aminoácidos primários, os quais por si mesmos não têm
atividade biológica intrínseca. O que, então, conferem a uma proteína atividade
enzimática, a outra atividade hormonal, e função de anticorpo a ainda outras?
Como elas diferem quimicamente? Muito simples, as proteínas diferem uma das
outras porque cada uma delas tem uma sequência distinta de unidades de
aminoácidos. Os aminoácidos são o alfabeto da estrutura proteica, pois eles podem
ser agrupados em um número quase infinito de sequências para formar um número
quase infinito de diferentes proteínas.
As proteínas podem ser divididas em várias grandes classes
de acordo com seus papéis biológicos, conforme exemplificado na tabela 2.
Tabela 2. Classificação das proteínas de acordo com a função
biológica.
|
Classe |
Exemplo |
|
Enzimas |
Ribonuclease Tripsina |
|
Proteínas
transportadoras |
Hemoglobina Albumina do soro Mioglobina b1-lipoproteína |
|
Proteínas
nutritivas e de reserva |
Gliadina (trigo) Ovoalbumina (ovo) Caseína (leite) Ferritina |
|
Proteínas
contráteis ou de movimento |
Actina Miosina Tubulina Dineína |
|
Proteínas
estruturais |
Queratina Fibroína Colágeno Elastina |
|
Classe |
Exemplo |
|
Proteínas de defesa |
Anticorpos Fibrinogênio Trombina Toxina botulínica Veneno de serpentes |
|
Proteínas
reguladoras |
Insulina Hormônio de crescimento Corticotrofina Repressores |
Fonte: Lehninger (2004).
As sementes de muitas plantas têm proteínas nutrientes necessárias para o
crescimento do embrião da planta. Exemplos particularmente familiares são as
proteínas das sementes do trigo, do milho e do arroz.
As proteínas também podem ser classificadas de acordo com a forma. As proteínas
também podem ser divididas em duas grandes classes com base em sua forma e
certas características físicas: proteínas globulares e proteínas fibrosas. Nas
proteínas globulares a cadeia, ou cadeias, polipeptídica(s) está (ão)
fortemente enrolada(s) em uma forma globular ou esférica. As proteínas
globulares usualmente são solúveis em sistemas aquosos e se difundem
facilmente; a maioria tem função móvel ou dinâmica. Quase todas as enzimas são
proteínas globulares, como também são as proteínas sanguíneas de transporte, os
anticorpos e as proteínas de reserva nutritiva. As proteínas fibrosas são
moléculas insolúveis em água, compridas e filamentosas, com a cadeia
polipeptídica estendida ao longo de um eixo ao invés de enroladas em forma
globular. A maioria das proteínas fibrosas tem função estrutural ou protetiva.
Proteínas fibrosas típicas são a a-queratina do cabelo e da lã, a fibroína da
seda e o colágeno dos tendões (Lehninger, 1984; De Robertis e De Robertis Jr.,
1993).
As unidades que constituem as proteínas são os aminoácidos. Um aminoácido é um
ácido orgânico no qual o carbono próximo ao grupo –COOH (chamado de carbono alfa)
está unido também a um grupo –NH2. Além disso, o carbono alfa que se
liga a uma cadeia lateral (R) é diferente em cada aminoácido.
Os aminoácidos diferem entre si somente na cadeia lateral; por exemplo, na
alanina, R tem apenas um carbono, enquanto a leucina tem quatro. As
propriedades dos diversos aminoácidos dependem da composição química da cadeia
lateral. Assim, a lisina e a arginina são aminoácidos básicos porque a cadeia lateral contêm um grupo amino extra; nos
aminoácidos ácidos há grupos carboxila adicionais (ácido glutâmico e
aspártico). A união de aminoácidos para formar uma molécula protéica se dá de
tal modo que o grupo ácido de um aminoácido combina com o grupo básico do
aminoácido adjacente, com a perda simultânea de uma molécula de água. A união
grupo –NH CO- é conhecida como ligação peptídica ou ponte peptídica. Quando
vários aminoácidos se unem, formam uma cadeia peptídica.
Comumente se diferenciam quatro níveis na estrutura das proteínas.
A estrutura primária é a sequência de aminoácidos que forma uma cadeia unida
por ligações peptídicas. A sequência linear de aminoácidos de uma proteína
determina o nível mais importante na estrutura da molécula. A importância
biológica da sequência de aminoácidos é exemplificada na enfermidade humana
hereditária, a anemia falciforme, na qual profundas alterações biológicas são
produzidas pela substituição de apenas um aminoácido na molécula da
hemoglobina.
A estrutura secundária é a organização espacial de aminoácidos que se
encontram próximos entre si na cadeia peptídica. Algumas regiões podem
apresentar uma estrutura sob a forma de cilindro, ou estrutura a-hélice (chamada alfa porque foi a primeira estrutura descoberta por Pauling e Corey, no
início da década de 50). Na a-hélice, a cadeia peptídica está enrolada em
torno de um cilindro imaginário e é estabilizada por pontes de hidrogênio entre
o grupo amino de um aminoácido situado quatro resíduos à frente, na mesma
cadeia polipeptídica. Na estrutura em folha pregueada b , os aminoácidos
assumem a configuração de uma folha de papel pregueada, e a estrutura está
estabilizada por pontes de hidrogênio entre os grupos amino e carboxila de
diferentes cadeias polipeptídicas. Outros segmentos da proteína não apresentam
estas ligações transversais e assumem, por sua vez, uma configuração ao acaso (randon
coil); isto se deve, em parte, ao fato de certos aminoácidos, como a
prolina, romperem a estrutura helicoidal.
A estrutura
terciária é a forma pela qual as regiões
helicoidais e de randon coil se dispõem entre si. Isto é, é a relação
tridimensional dos segmentos de aminoácidos que podem estar muito separados
entre si numa seqüência linear.
A estrutura quartenária é a disposição de subunidades protéicas em proteínas complexas
formadas por duas ou mais destas subunidades. Por exemplo, a molécula de
hemoglobina é composta
por quatro
cadeias polipeptídicas, duas delas denominadas a e duas b. A separação e associação das
subunidades é suscetível de ocorrer espontaneamente. A molécula de hemoglobina
pode dissociar-se, por ação da uréia, em duas metades (duas a e duas b). Quando se retira a uréia do meio,
as metades se reassociam formando moléculas funcionais completas.
A disposição de uma molécula protéica
é predeterminada pela seqüência de aminoácidos
(estrutura primária). Isto pode ser demonstrado por meio de
experimentos nos
quais se produz a desnaturação, ou
desorganização, da estrutura terciária de
uma proteína submetendo-a a altas temperaturas ou a outras
condições não
fisiológicas. A desnaturação de uma
proteína provoca, geralmente, a perda de
sua atividade biológica.
Os diferentes tipos de ligações servem para manter os quatro níveis da
estrutura da proteína. As ligações covalentes são de dois tipos. A
primeira é a ligação peptídica, que une as subunidades de
aminoácidos da seqüência primária. A segunda é a ponte dissulfeto
(ponte S-S, a qual se estabelece entre os grupos –SH
de dois resíduos de cisteína, sendo responsáveis por vários aspectos da
estrutura terciária).
Além destas, existem vários tipos de interações fracas que são importantes para
estabelecer a estrutura secundária e terciária. Todas essas ligações fracas são
do tipo não-covalente, e as principais são as
seguintes:
Ligações iônicas ou eletrostáticas,
que são o resultado da força de atração entre grupos ionizados de carga
contrária;
Ligações ou pontes de hidrogênio,
formadas quando um próton (H+) é compartilhado entre dois átomos
eletronegativos muito próximos. OH+ pode ser partilhado entre átomos de
hidrogênio ou de oxigênio próximos entre si. São essenciais para o pareamento
específico entre as bases de ácidos nucléicos, proporcionando a força que
mantém unidas as duas cadeias do DNA e permite a codificação específica do DNA
em RNA.
Interações hidrofóbicas, que
correspondem à associação de grupos não polares, que a fazem de modo a excluir
o contato com a água. Nas proteínas globulares, as cadeias laterais dos
aminoácidos mais hidrofóbicos tendem a agregar-se no interior da molécula, e os
grupos hidrofílicos sobressaem na superfície das mesmas. Os resíduos
hidrofóbicos repelem as moléculas de água que envolve a proteína e determinam
que a estrutura globular torne-se mais compacta.
Interações de Van der Waals, que só
produzem quando os átomos estão mais próximos. Esta proximidade de duas
moléculas pode induzir flutuações de carga, produzindo atrações mútuas à curta distância.
A diferença fundamental entre ligações covalentes e não-covalentes está na quantidade de energia necessária para
romper esta ligação. Em geral as ligações são rompidas pela intervenção de
enzimas, enquanto as não-covalentes se dissociam com
facilidade através de forças físico-químicas.
Proteínas nas
sementes
Copeland (1976), cita que o conhecimento da composição
química da semente é essencial por várias razões, principalmente porque contém
materiais de reservas e substâncias de crescimento que influenciam na
germinação, vigor das sementes, no armazenamento e longevidade, bem como no seu
uso medicinal e agronômico. Além dos constituintes químicos normais encontrados
no tecido de toda planta, as sementes contém uma quantidade extra de
substâncias químicas armazenadas como reserva de alimento para auxiliar na
germinação. Essas reservas são armazenadas primeiramente como carboidratos,
óleo e proteínas. Em adição, as sementes contêm outras substâncias químicas as
quais estão presentes em uma menor taxa de armazenamento, mas servem na maioria
das vezes como substâncias de crescimento e como controladoras do metabolismo.
Comparando com as outras partes da planta, o conteúdo mineral de muitas
sementes é notavelmente baixo e tende a ser centralizado nos tecidos
estruturais e no tegumento. A composição química da semente é basicamente
determinada pelos fatores genéticos, porém o meio ambiente e as práticas
culturais, como época de semeadura, a quantidade de água disponível e adubação
também influencia na composição química. Por causa dos fatores genéticos, a
composição química da semente varia largamente entre as espécies e às vezes
entre as variedades.
Sementes com alto teor de proteína e amido são mais higroscópicas do que as
sementes oleaginosas e consequentemente mostram uma maior curva de equilíbrio
de umidade. Portanto, sementes de milho e outros cereais pequenos apresentam um
teor de umidade maior em uma dada umidade relativa do ar comparado com sementes
de oleaginosas como linho, girassol e soja. Talvez a incapacidade de sementes
oleaginosas de absorver umidade e mantê-la firmemente, causa uma adição no teor
de água que se torna rapidamente excessiva e contribui para uma deterioração
mais rápida das mesmas em comparação com as amiláceas em níveis de umidade
comparáveis.
As proteínas são os componentes básicos de toda célula viva. São
polímeros de aminoácidos sintetizados biologicamente na célula e funcionam como
enzimas, componentes estruturais e materiais de reserva.
As sementes caracterizam-se por apresentarem uma parte das proteínas
metabolicamente ativa, como as enzimas e as nucleo-proteínas,
e outra, metabolicamente inativa. Esta segunda parte representa as proteínas de
reserva, cuja composição varia de acordo com as espécies. As sementes dos
cereais apresentam, em geral, menor teor de proteína, quando comparadas às
leguminosas e às sementes ricas em óleo (tabela 3). Observa-se que, dentre os
componentes químicos da semente, as proteínas sempre se apresentam em menor
proporção do que os carboidratos ou os lipídios, exceção feita à soja.
Tabela 3.
Composição química (%) de sementes de algumas espécies.
|
Espécie |
Água |
Proteínas |
Lipídios |
Carboidratos |
|
|
|
Total |
Fibra |
Cinzas |
||||
Feijão
branco
|
10,9 |
22,3 |
1,6 |
61,3 |
4,3 |
3,9 |
|
Feijão vermelho |
10,4 |
22,5 |
1,5 |
61,9 |
4,2 |
3,7 |
|
Milho |
13,8 |
8,9 |
3,9 |
72,2 |
2,0 |
1,2 |
|
Amendoim |
5,6 |
26,0 |
47,5 |
18,6 |
2,4 |
2,3 |
|
Arroz (não brunido) |
12,0 |
7,5 |
1,9 |
77,4 |
0,9 |
1,2 |
|
Centeio |
11,0 |
12,1 |
1,7 |
73,4 |
2,0 |
1,8 |
|
Gergelim |
5,4 |
18,6 |
49,1 |
21,6 |
6,3 |
5,3 |
|
Sorgo |
11,0 |
11,0 |
3,3 |
73,0 |
1,7 |
1,7 |
|
Soja |
10,0 |
34,1 |
17,7 |
33,5 |
4,9 |
4,7 |
|
Girassol |
4,8 |
24,0 |
47,3 |
19,9 |
3,8 |
4,0 |
|
Trigo branco |
11,5 |
9,4 |
1,8 |
75,4 |
1,9 |
1,7 |
Adaptado de Watt e Merril (1963).
O teor e a composição de proteínas
(aminoácidos) variam em função das
condições
do ambiente e das técnicas de cultivo que afetam o estado
nutricional das
plantas. Deve-se salientar, neste aspecto, a boa
correlação entre a adubação
nitrogenada e o teor de proteínas das sementes para uma
série de culturas.
As proteínas são encontradas em todos os tecidos das sementes, apresentando-se
em maiores concentrações no embrião (tabelas 4 e 5). Nas sementes de cereais,
as maiores concentrações são encontradas no embrião e na camada de aleurona do
que no endosperma, pericarpo e tegumento sendo que, no endosperma, as
concentrações diminuem da periferia para o centro (Kent, 1971). Entretanto,
netas espécies, como o endosperma representa a maior porcentagem em peso da
semente, a maior quantidade de proteínas é encontrada nesta parte (tabela 4),
diferindo, portanto, das espécies em que os materiais de reserva são acumulados
nos cotilédones (tabela 5).
Tabela 4.
Distribuição do porcentual de proteína nas diferentes partes da semente de
milho.
Parte
|
Proteína* |
Peso da semente como um todo |
Proporção do total Da semente, da fração específica. |
Endosperma
|
9,4 |
81,9 |
74,8 |
|
Embrião |
18,8 |
11,9 |
22,4 |
|
Casca |
3,7 |
5,3 |
2,0 |
|
Cobertura da ponta |
9,3 |
0,8 |
0,8 |
|
Semente inteira, intacta |
10,3 |
99,9 |
- |
(*) Proteína = N x 6,25
Adaptado de
Earle et al. (1946).
Tabela 5.
Distribuição do porcentual de proteína nas diferentes partes da semente de
soja.
|
Partes |
Proteína
|
Tegumento
|
8 |
|
Cotilédones |
43 |
|
Hipocótilo |
41 |
|
Semente inteira |
40 |
Adaptado de National Soybean
Processors Association (1969/1970).
Segundo a classificação de Osborne, as
proteínas das sementes podem ser divididas em quatro classes segundo a sua solubilidade: (1) albuminas - solúveis em água; (2) globulinas - solúveis em soluções salinas,
porém, insolúveis em água; (3) glutelinas - solúveis em soluções de ácidos fracos ou em soluções
alcalinas; (4) prolaminas - solúveis em soluções de álcoois
(70 - 90%). Tal classificação foi proposta na virada do século e está longe de
ser considerada como ideal, devendo ainda sofrer modificações e estudos mais
detalhados para tanto. Ressalta-se que para a solubilização dessas proteínas
são necessários procedimentos extremos, como por exemplo, fervura em solução
tampão contendo o detergente sódio dodecyl sulfeto (SDS), (Bewley & Black,
1994). A maioria das investigações conduzida para a definição dessas classes
protéicas foi feita com várias espécies de sementes dentre as plantas
cultivadas, contudo, dar-se-á destaque às leguminosas e aos cereais, dadas a
sua importância tanto na nutrição humana como na animal.
As glutelinas e prolaminas são, na
maioria dos cereais (arroz, centeio, cevada, milho, sorgo, trigo), os
componentes mais abundantes das proteínas (em torno de 80 a 90%), enquanto que
as albuminas e globulinas contribuem, nestas espécies referidas, com menores
porcentuais, em torno de 20% ou menos. Na aveia, entretanto, as globulinas são
as predominantes, representando em torno de 56% da proteína de reserva (Bewley
e Black, 1985). Também, Mayer e Poljakoff-Mayber (1978),
dizem que a divisão das proteínas de armazenamento em prolaminas e glutelinas é
arbitrária, dado o método de obtenção, sendo, portanto mais interessante
referir-se às proteínas bem conhecidas, cujas propriedades estão bem
investigadas. Desta forma, no caso das prolaminas, tem-se a gliadina no trigo,
hordeína na cevada, a zeína no milho, a kafirina no sorgo, a avenina na aveia e
a orizina no arroz, enquanto para as glutelinas, existe a glutelina no trigo, a
hordenina na cevada e a orizinina no arroz.
Nas dicotiledôneas, as prolaminas, em muitos casos, estão ausentes ou em baixo
teor, enquanto as glutelinas ocorrem em níveis superiores aos daquelas. As
globulinas são, nas leguminosas, as principais proteínas armazenadas,
representando acima de 70% do total de N da semente (Bewley e Black, 1985).
Estas proteínas estão bem definidas para estas espécies, das quais as
principais são a legumina e a vicilina. A glicinina na soja, a araquina e a
conaraquina no amendoim e faseolina, no feijão, são globulinas específicas.
No embrião das sementes de milho predominam as albuminas e globulinas, e no
endosperma, as zeínas e glutelinas (Reines et al.,
1973). Existem diferenças marcantes na composição das proteínas presentes no
endosperma do milho e, no ponto de vista nutricional para o homem, a zeína é de
baixa qualidade em relação às demais devido a sua deficiência em lisina e
triptofano (tabela 6).
Tabela 6.
Composição (mg/100g) em termos de aminoácidos do
endosperma do milho.
|
Aminoácidos |
Albumina |
Globulina |
Zeína |
Glutelina |
Lisina
|
44 |
41 |
1 |
18 |
|
Histidina |
16 |
25 |
8 |
18 |
|
Amônia (glutamina e asparagina) |
84 |
80 |
148 |
202 |
|
Arginina |
43 |
72 |
10 |
30 |
|
Ácido aspártico |
73 |
58 |
41 |
49 |
|
Treonina |
45 |
28 |
24 |
34 |
|
Serina |
48 |
53 |
52 |
47 |
|
Aminoácidos |
Albumina |
Globulina |
Zeína |
Glutelina |
|
Ácido glutâmico (glutamina) |
86 |
114 |
166 |
131 |
|
Prolina |
45 |
33 |
94 |
73 |
|
Glicina |
93 |
73 |
17 |
62 |
|
Alanina |
85 |
60 |
110 |
79 |
|
Valina |
50 |
49 |
31 |
45 |
|
Metionina |
10 |
7 |
10 |
25 |
|
Isoleucina |
28 |
23 |
31 |
29 |
|
Leucina |
49 |
45 |
151 |
85 |
|
Tirosina |
49 |
17 |
31 |
31 |
|
Fenilalanina |
21 |
28 |
43 |
27 |
|
Triptofano |
6 |
4 |
0 |
3 |
Fonte: Reines et
al. (1973).
Durante o desenvolvimento das sementes, verifica-se que o teor de proteína
apresenta comportamento distinto, em função da espécie. Madison et al. (1976) constataram, desta forma, que o teor de
proteína mantém-se relativamente constante durante o desenvolvimento das
sementes de “kidney bean”, enquanto, em sementes de ervilha, amendoim e soja
este teor aumenta durante o desenvolvimento. Yazdi-Samadi
et al. (1977), por sua vez, observaram que havia também
variações no teor dos aminoácidos durante o desenvolvimento da semente, havendo
alguns que aumentaram (como exemplo: serina, valina, isoleucina) e outros que
diminuíram (histidina, alanina), em função da cultivar
estudada.
A porcentagem de proteínas nos cereais é tida como
suficiente para satisfazer as necessidades dos seres humanos, desde que,
quantidades adequadas de calorias sejam consumidas, contudo é insuficiente para
suportar o crescimento de animais domésticos. Ainda, a composição de
aminoácidos, tanto em proteínas de cereais como de leguminosas, não se
completam perfeitamente para satisfazer as necessidades de humanos ou de
animais.
As proporções das diferentes classes de proteínas em cereais são mostradas na
tabela 7, de acordo com Payne & Rhodes (1982).
Tabela 7. Composição protéica aproximada de alguns cereais
(em porcentagem) e o nome comum de algumas proteínas de reserva.
|
Cereal |
Albumina |
Globulina |
Prolamina |
Glutelina |
|
Trigo |
9 |
5 |
40(gliadina) |
46(glutenina) |
|
Milho |
4 |
2 |
55
(zeína) |
39 |
|
Cevada |
13 |
12 |
52(hordeína) |
23(hordenina) |
|
Aveia |
11 |
56 |
9
(avenina) |
23 |
|
Arroz |
5 |
10 |
5
(oryzina) |
80 oryzenina) |
|
Sorgo |
6 |
10 |
46
(kafirina) |
38 |
Fonte:
Payne & Rhodes (1982).
Nos endospermas de milho, cevada e sorgo a maior porcentagem
de proteínas de reserva é constituída pelas prolaminas, as quais são
encontradas somente em monocotiledôneas; no trigo são as glutelinas e na aveia
são as globulinas que predominam. As globulinas são proteínas de reserva do
embrião dos cereais e é por esse motivo que elas representam uma pequena fração
das proteínas de reserva, quando se considera a demais parte da semente.
A fração de aminoácidos presentes no total da fração protéica dos cereais
(tabela 8) é fortemente influenciada, como não poderia deixar de ser, pela
natureza da maior fração de proteína de reserva presente (Earle & Hubbard,
1946).
Albuminas e globulinas não são seriamente deficientes em aminoácidos
específicos e, portanto, do ponto de vista nutricional, a aveia é uma boa fonte
de proteína na dieta, sobretudo para animais em reprodução. Em grão de cevada e
milho, entretanto, onde as prolaminas são elevadas, a lisina é seriamente
limitante; além, o triptofano é baixo e os níveis de treonina são nutricionalmente
limitantes. Prolaminas contêm teores elevados de prolina e ácido glutâmico
(Frey, 1977; Bewley & Black, 1994). Tentativas têm sido feitas para
modificar a composição de aminoácidos de cereais ricos em prolaminas, como a
cevada e o milho, em particular com o objetivo de aumentar o conteúdo de
lisina. Cita-se a existência de mutantes de milho e cevada ricos nesse
aminoácido, como verificado na tabela 8. Ressalta-se que esses mutantes contêm
menores níveis de prolaminas e mais glutelinas ricas em lisina, resultando em
alteração da composição total dos aminoácidos (Weber, 1980).
Tabela 8. Porcentagem de aminoácidos em proteínas de grãos
de aveia, milho normal e opaco - 2 e cevada normal e hiprolótica.
|
Milho |
Cevada |
Aveia |
|||||
|
Aminoácido |
Normal |
Opaco2 |
Normal |
Hiprolítica |
|||
|
Alanina |
10.0 |
7.2 |
3.8 |
4.3 |
5.0 |
||
|
Arginina |
3.4 |
5.2 |
4.6 |
4.9 |
6.9 |
||
|
Ac.Aspártico |
7.0 |
10.8 |
6.0 |
6.8 |
8.9 |
||
|
Cisteinab |
1.8 |
1.8 |
1.1 |
0.9 |
1.6 |
||
|
Ác.Glutâmico |
26.0 |
19.8 |
26.8 |
23.9 |
23.9 |
||
|
Glicina |
3.0 |
4.7 |
3.6 |
3.9 |
4.9 |
||
|
Histidina |
2.9 |
3.2 |
2.1 |
2.2 |
2.2 |
||
|
Isoleucinab |
4.5 |
3.9 |
3.7 |
3.9 |
3.9 |
||
|
Leucinab |
18.8 |
11.6 |
6.7 |
7.1 |
7.4 |
||
|
Lisinab |
1.6 |
3.7 |
3.4 |
4.2 |
4.2 |
||
|
Metioninab |
2.0 |
1.8 |
1.2 |
1.5 |
2.5 |
||
|
Fenilaninab |
6.5 |
4.9 |
5.9 |
5.9 |
5.3 |
||
|
Prolina |
8.6 |
8.6 |
12.6 |
11.3 |
4.7 |
||
|
Serina |
5.6 |
4.8 |
4.3 |
4.4 |
4.2 |
||
|
Treoninab |
3.5 |
3.7 |
3.4 |
3.6 |
3.3 |
||
|
Triptofanob |
0.3 |
0.7 |
___ |
___ |
___ |
||
|
Tirosina |
5.3 |
3.9 |
2.8 |
2.8 |
3.1 |
||
|
Valina |
5.4 |
5.3 |
4.8 |
5.3 |
5.3 |
||
bAminoácidos essenciais, que devem ser providos à dieta animal, pois
os mesmos não são capazes de sintetizá-los.
Fonte: Frey (1977).
Caracteristicamente, as proteínas de armazenamento (holo - proteínas) são
oligômeras, isto é, elas são feitas de duas ou mais subunidades que podem ser
separadas, usando condições de dissociação adequadas. Essas subunidades, por
sua vez, podem ser constituídas de determinado número de cadeias de
polipeptídeos, as quais variam na composição de aminoácidos entre as
subunidades "homólogas". Esta variação resulta em considerável
heterogeneidade entre as proteínas nativas. Por exemplo, a fração prolamina do
milho (zeína) consiste de duas grandes subunidades de massa molecular de 23 e
21 kDa e uma subunidade menor de 13,5 kDa; a separação
dessas subunidades, com base em suas cargas moleculares (separação
isoelétrica), mostra que, juntas, elas se constituem de aproximadamente 30
polipeptídeos. Complexidade similar é mostrada pela prolamina do trigo
(gliadina), a qual é separável em quatro grandes subunidades
(a,
b,
d
e w),
compostas aproximadamente de 46 polipeptídeos. As glutelinas do trigo
são ainda mais complexas, sendo polímeros compostos de proteínas que vão desde
11 até 133 x 102 kDa. Portanto, a maioria
das proteínas de armazenamento deve ser encarada não como uma única proteína,
mas como um complexo de proteínas individuais ligadas por grupos dissulfito,
pontes de hidrogênio, ligações iônicas e hidrofóbicas (Bewley & Black,
1994).
De acordo com Shewry & Tatham (1990) algum entendimento vem sendo obtido
sobre a relação evolucionária entre as prolaminas e as glutelinas de cereais.
No trigo e na cevada há três tipos de prolaminas: ricas em enxofre, pobres em
enxofre e as de alto peso molecular (HMW). As quais possuem domínios (regiões
de sequencias de aminoácidos) semelhantes. Por exemplo, ambas as ricas e pobres
em enxofre, contêm domínios ricos em prolina, então, estas duas proteínas
provavelmente compartilharam a mesma origem evolucionária. Outras três regiões
conservadas A, B e C, contendo a maior parte da cisteína, também foi
encontrada, mas com diferentes extensões, nos três tipos de proteínas (figura
1a). Essas regiões são flanqueadas e interrompidas por outra, variável em
seqüência, que devido às suas similaridades na composição de aminoácidos, são
tidas como tendo uma origem comum. As prolaminas ricas em enxofre e as HMW
apresentam A, B e C, mas as prolaminas pobres em enxofre apenas apresentam um
vestígio de C. Ambas as três proteínas podem ter se originado de uma subunidade
protéica ancestral de aproximadamente 90 aminoácidos contendo A, B e C, como
mostra a figura 1b. Durante a evolução, as maiores mudanças nas prolaminas
ricas em enxofre e HMW, foram a inserção de repetidas
sequencias entre A, B e C e regiões de flanqueamento. Tais seqüências
foram amplificadas na prolamina pobre em enxofre, a qual perdeu A e B, restando
apenas uma parte de C.

Figura 1a*. Relações entre prolaminas de cereais e outras proteínas.
Domínio de aminoácidos de diversas proteínas. Os números se referem à posição
do aminoácido na cadeia de polipeptídeos.
Similaridades vêm sendo evidenciadas entre as citadas prolaminas em trigo e
cevada com outras proteínas. Por exemplo, b zeína também possui as regiões A, B
e C, mas nenhuma das sequencias repetidas: ao invés, uma região rica em
metionina está inserida entre B e C (figura 1a). A proteinase/aamilase
inibidora, em cevada, consiste quase que exclusivamente de A, B e C. E, das
duas subunidades proteína 2S em feijão, uma possui a seqüência A e, a outra, as
regiões B e C. Finalmente, a albumina 2S, no girassol, possui as regiões B e C,
apesar do cDNA dessa proteína possuir a seqüência de
bases para codificar a região A; a razão para essa discrepância é
desconhecida.
O número de genes codificando as diferentes proteínas varia consideravelmente
entre as diferentes prolaminas. Por exemplo, há uma grande família, mais de
100, genes da gliadina do trigo, mais ou menos o mesmo número para a-zeína
no milho, enquanto que as outras zeínas (b, d e d) possuem apenas um ou dois genes.

Figura 1b*. Esquema mostrando as possíveis mudanças evolucionárias que
ocorreram nas prolaminas e proteínas correlatas. * Extraídas de Shewry &
Tatham (1990)
Os grãos de leguminosas são a segunda maior fonte de proteínas, após os
cereais. Nutricionalmente, eles são deficientes em aminoácidos sulfurados
(cistina e metionina), mas ao contrário dos grãos de cereais, o conteúdo de
lisina é adequado (tabela 9). A maior reserva de proteínas são as globulinas,
as quais contribuem para 70% do nitrogênio total presente nos grãos. As
globulinas podem ser distintas em duas grandes famílias de proteínas, as quais
diferem em massa molecular e, durante a ultracentrifugação, sedimentam com
coeficientes de sedimentação (S) de aproximadamente 7
(média de 7 - 8) e 11 (média de 11 - 13). Estas são as proteínas 7 S (grupo vicilina) e a 11 S (o grupo legumina). Ambas são
holoproteínas que formam uma série de polímeros relacionados, contudo, cada
tipo (vicilina ou legumina) pode diferir quantitativamente ou qualitativamente
na composição com relação às subunidades (Derbyshire et
al., 1976).
As globulinas11S ocorrem na forma de complexos
hexaméricos de 320 - 400 kDa, compostas de 6 subunidades (52 - 65 kDa)
não-idênticas. Cada subunidade contém um polipeptídeo ácido (pI~6.5)
de 33 - 42 kDa e um polipeptídeo básico (pI~9) de 19 - 23 kDa. Os polipeptídeos
ácido e básico são ligados por uma única ligação dissulfito (figuras 2 e 3).
Comparadas com as proteínas 11 S, as globulinas 7 S
têm estruturas mais variadas. Elas estão presentes nas sementes como um
complexo trimérico de 145 - 190 kDa, compostos de três
polipeptídeos não-idênticos de 48 - 83 kDa. Em alguns legumes, como por exemplo,
a ervilha, os polipeptídeos sofrem uma série de clivagens proteolíticas, de
forma a apresentar tamanhos variando entre 12 a 75 kDa
(tabela 10). Em outras espécies, incluindo soja e feijão, nenhum processo
proteolítico ocorre. Na maior parte, senão no total, as proteínas 7 S são completamente deficientes em cisteína e
conseqüentemente, os polipeptídeos não são ligados por ligações dissulfídicas
(Larkins, 1981; Shewry & Tatham, 1990; Bewley & Black, 1994).
Para esclarecer a complexidade das proteínas de armazenamento nas sementes de
leguminosas, tomar-se-á como exemplo apenas uma espécie, a soja. Dentre as
globulinas, a maior fração presente em sementes maduras é a gliacinina
(legumina), a qual provavelmente possui quatro subunidades básicas e quatro
subunidades ácidas, tornando-se uma holoproteína 12.3 S
de 330 kDa. A fração 7 S, b-
e g-conglicinina,
também contêm grupos heterogêneos de proteínas. b-Conglicinina
que é a forma predominante de vicilina, possui massa média de 160 kDa e é composta
de três subunidades: a e a' de 57 kDa e b
de 42 kDa. Estas podem se combinar em seis diferentes formas isoméricas, de
diferentes composições de subunidades (por exemplo: ab,
a'b,
ab,
aa,
aa'b,
ab
e a),
cada uma variando pouco com relação à composição de aminoácidos e carboidratos
(os carboidratos presentes são geralmente glucose, manose ou glucosamino, de
0,5 a 1,5%, porque muitas subunidades das proteínas 7 S
são glicosidadas durante a sua deposição). As proteínas de reserva da soja
também contêm a forma 2 S, a a-conglicinina,
que são heterogêneas e incluem diversas enzimas, bem como, a que inibe a
atividade da tripsina. Proteínas de reserva das demais leguminosas mostram
igual complexidade.
Tabela
9. Composição de aminoácidos das proteínas 7 S e 11 S
(globulinas) de sementes de soja (expressas como % mol).
|
Aminoácido |
11 S |
7 S |
|
Alanina |
6.2 |
3.7 |
|
Arginina |
5.6 |
8.8 |
|
Ác Aspártico |
11.7 |
14.1 |
|
Cistina |
0.6 |
0.3 |
|
Ac. Glutâmico |
21.4 |
20.5 |
|
Glicina |
7.5 |
2.9 |
|
Histidina |
1.7 |
1.7 |
|
Isoleucina |
4.1 |
6.4 |
|
Lisina |
3.9 |
7.0 |
|
Metionina |
1.3 |
0.3 |
|
Fenilanina |
4.6 |
7.4 |
|
Prolina |
6.5 |
4.3 |
|
Serina |
6.0 |
6.8 |
|
Treonina |
3.8 |
2.8 |
|
Triptofano |
0.8 |
0.3 |
|
Tirosina |
2.7 |
3.6 |
|
Valina |
5.2 |
5.1 |
Fonte: Derbyshire et
al. (1976).
Conforme descrito em Krochko & Bewley (1988) e em Bewley & Black
(1994), a composição polipeptídica de proteínas de reserva 7
S e 11 S são distinguíveis em eletroforese em gel de poliacrilamida
(PAGE), para tanto, as vicilinas e leguminas de alfafa são mostradas na figura
4, como exemplo.
Tabela 10. Composição, em subunidades, das Globulinas de
armazenamento de alguns legumes.
|
Coeficiente
de |
||||
|
Sedimentação |
Nome da |
|||
|
Espécie |
Aproximado
(S) |
Massa kDa |
Holoproteína |
Subunidade
(kDa) |
|
Pisum sativum |
7 - 8 |
186 |
Vicilina |
12,14,18,24,30,50,75 |
|
(ervilha) |
12 - 13 |
360 |
Legumina |
18,20,25,27,37,40 |
|
Vicia fava |
7 |
150 |
Vicilina |
31,33,46,56 |
|
(feijão broto) |
11 - 14 |
328 |
Legumina |
20,37 |
|
P.vulgaris |
6,5 -
7,5 |
150 |
Glicoproteína
I |
43,47,53 |
|
(feijão) |
11 |
340 |
GlicoproteínaII |
30,32,34 |
|
Medicago sativa |
7 |
150 |
Alfina |
14,16,20,32,38,50 |
|
(alfafa) |
11 |
360 |
Medicagina |
59,63,64,65,67,69 |
|
Glycine max |
7 - 8 |
160 |
b-conglicinina |
42,57 |
|
(soja) |
12 |
330 |
Glicinina |
19,37,42 |
Adaptado de
Casey et al. (1986).
Diversas proteínas de armazenamento são
extraídas em soluções tampão de baixa concentração salina, incluindo a maior
parte da fração 7 S (uma vicilina chamada de alfina,
tabela 4), algumas proteínas de alto peso molecular (HMW) e a proteína 2 S de
baixo peso molecular (LMW) (figura 2, faixa A). Esta separação eletroforética
ocorre com base no tamanho, as subunidades de alfina vão de 14 até 50 kDa (faixa A). Quando essa fração protéica é tratada com b-mercaptoetanol,
um agente redutor, o qual quebra ligações dissulfidicas entre cadeias de
polipeptídeos adjacentes, as posições das a
unidades
no gel permanecem inalteradas (figura 2a e 2b). Isso mostra que nenhuma ligação
entre as cadeias foi quebrada e, que os polipeptídeos componentes da proteína 7 S não são unidos por ligações dissulfito. A proteína 11 S (legumina) chamada medicagina, apenas é solúvel em
soluções tampão de alta concentração salina. Isto provoca a separação
eletroforética com a formação de bandas indo de 59 até 69 kDa
(figura 4, faixa C). Após tratamento com b-mercaptoetanol, a proteína 11 S corre pelo gel como grupos de subunidades (A1-7)
de 40 até 49 kDa e outro grupo de 20 até 24 kDa (B1-3), na faixa D.
Isto porque as ligações dissulfito entre as cadeias foram quebradas pelo agente
redutor e os polipeptídeos individuais, componentes de cada subunidade foram
liberados.
Os polipeptídeos A são ácidos, devido ao seu ponto isoelétrico (pI) estar situado aproximadamente em pH 6 e, os
polipeptídeos B são básicos (pI aproximadamente em pH 7,5). A proporção entre
os aminoácidos ácidos e básicos em um polipeptídeo determina o pI.
Verifica-se relativa complexidade com relação à composição das proteínas 11 S, uma vez que, polipeptídeos individuais podem variar o
seu conteúdo em aminoácidos e assim, apresentar pequenas variações na carga.
Há, por exemplo, de 30 - 40 isômeros carregados de polipeptídeos ácidos em
alfafa, com pI indo de 5,4 até 6,5.
O tamanho da holoproteína 11 S da alfafa é de
aproximadamente 360 kDa. As subunidades individuais dessa proteína estão
constituídas por um polipeptídeo ácido, ligado por ligação dissulfidica em um
polipeptídeo básico. Uma vez que, cada subunidade tem peso molecular de
aproximadamente 60 kDa é justificável que a
holoproteína seja feita de 6 subunidades.
A composição típica de uma proteína 11 S
e a sua relação com as suas subunidades e com os polipeptídeos correspondentes
é detalhada na figura 3.

Figura 3. Gel de eletroforese (SDS
- PAGE) de vicilina e albumina (S-1), solúveis em baixas concentrações do sal
e, legumina (S-2) solúvel em altas concentrações do sal. Amostras reduzidas
(+ME, B e D) e não reduzidas (A e C) são mostradas em faixas adjacentes. As
principais proteínas e os pesos moleculares são indicados. Extraído de Krochko
& Bewley (1988).
De acordo com Bewley & Black
(1994), muitas proteínas de reserva são decodificadas por um grande número de
genes e, pequenas variações nos códons resultam em, também, pequenas variações
na composição de aminoácidos das proteínas resultantes. Não obstante isso,
todos os genes (cDNAs) das globulinas de diferentes
espécies que foram seqüenciadas mostram certa similaridade com o tipo legumina
ou vicilina. Certas seqüências de bases e, portanto, seqüências de aminoácidos,
são conservadas em todas as leguminas e vicilinas, independente da espécie de
planta considerada. Portanto, essas proteínas são tidas como originadas de dois
genes ancestrais. Corroborando tais relações, esta o fato de que propriedades
antigênicas similares são compartilhadas pelas leguminas e vicilinas de
diferentes sementes. Durante a evolução, mudanças ocorreram nesses dois genes
ancestrais, resultando em vários tipos diferentes de globulinas que agora são
reconhecíveis. Algumas perdas gênicas também ocorreram, por exemplo, as
vicilinas não ocorrem nas famílias as quais pertencem as Brassicas e o girassol
(Brassicaceae e Asteraceae, respectivamente).

Figura 4. Componentes de uma
proteína 11 S de armazenamento quando submetida à
extração em alta concentração do sal e ao agente redutor -mercaptoetanol
(ME). Extraído de Krochko & Bewley (1988).
Nem todas as proteínas de reservas
das sementes têm características nutricionais desejáveis. Inibidores
enzimáticos podem reduzir a eficiência das hidrolases, etc., no trato digestivo
de animais. Lectinas, as quais são usualmente glicoproteínas, têm a capacidade
de se ligar com a superfície das células de animais, muitas vezes causando
aglutinação (especialmente em eritrócitos), por exemplo, concanavalina A em
sementes de jack bean (Canavalia ensiformis) e,
algumas vezes, as lectinas são chamadas de fitohemaglutininas. Qualquer efeito
tóxico das lecitinas pode ser eliminado através do uso de tratamento com calor.
Por exemplo, rações que incluem em sua composição o feijão castor (Ricinus
communis), podem ser ministradas ao gado após a extração do óleo de castor e
aquecimento.
Mandelonitrilo
liase (MDL) é uma glicoproteína do endosperma de sementes de cereja preta (Prunus serotina) e é uma enzima
envolvida na degradação do dissacarídio cianogênico amigdalina. Tal pode ser
importante nessa e em outras sementes cianogênicas para a produção de HCN,
quando os tecidos são lesionados por patógenos, por exemplo. Muitas sementes
possuem proteínas que podem fazer parte de mecanismos de defesa contra pestes e
predadores; por exemplo, espécies selvagens de Phaseolus vulgaris contêm a glicoproteína arcelina, a qual confere
resistência contra alguns brucídeos, enquanto que espécies domésticas de P. vulgaris, parecem ter essa resistência
conferida pela α amilase inibidora. Citinase, uma enzima que confere
resistência ao ataque de fungos, foi isolada de sementes secas de diversas mono e dicotiledôneas. Algumas dessas enzimas posem
ter o papel duplo de ser proteínas de reserva e de
defesa, quando a semente é objeto de predação.
As
proteínas de reserva encontram-se normalmente depositadas em organelas
celulares denominadas corpúsculos de proteína. O diâmetro dessa organela varia
de 0,1 a 25 µm (Bewley e Black, 1985), e é envolvida, pelo menos durante o seu
desenvolvimento, por uma membrana simples. Estes corpúsculos podem ocorrer em
todo o embrião ou endosperma, ou, outras vezes, restringem-se a uma camada
(camada de aleurona). Têm sido às vezes denominados de grãos de aleurona, termo
este não aceito por todos. Em sementes maduras e secas de algumas sementes, por
exemplo, em cereais, a membrana é incompleta ou ausente, deixando a proteína
dispersa no citoplasma, contudo, isto é incomum. Alguns corpúsculos protéicos
são simples em sua estrutura, consistindo de uma matriz protéica circundada por
uma membrana. Inclusões freqüentemente ocorrem,
particularmente de cristalóides ou globóides e, mais raramente de cristais de
oxalato de cálcio. Os cristalóides são inclusões proteináceas insolúveis (em
água ou tampão) “acomodadas” na matriz solúvel da proteína. Por exemplo, em
feijão castor, o cristalóide é uma proteína insolúvel 11 S
e, a matriz é feita de proteínas solúveis 2 S e 7 S, incluindo lecitinas.
Globóides são estruturas monocristalinas e globulares e são as inclusões mais
comumente encontradas em corpúsculos de proteínas (figura 4 a, b). Contudo,
eles variam em tamanho e número. Em algumas espécies os globóides são
encontrados em corpúsculos de proteínas em algumas regiões da semente, mas, não
em outras (por exemplo, as camadas protéicas de aleurona – grãos de aleurona –
em cereais, geralmente contêm globóides, contudo, o
endosperma nunca os contêm). Globoídes são sítios de deposição de fitina
– sais de magnésio, potássio e cálcio de ácido fítico.
A camada protéica de corpúsculos de aleurona em cevada também contêm
carboidratos, porém em uma unidade distinta do globóide, conhecida como
corpúsculo de proteína-carboidrato (figura 4 b). Muitas enzimas podem ocorrer
juntamente aos corpúsculos de proteína e, durante a mobilização de reservas,
outras enzimas podem ser adicionadas, de forma que, eventualmente, a estrutura
se transforme em um vacúolo autolítico. Como exemplos, nos casos de trigo e
cevada (Simmonds e Orth, 1973), α-amilase, α-glucosidase (maltase),
protease, dipeptidase, esterase, fitase e nitrito-redutase.
Corpúsculos
de proteína podem conter apenas um tipo de proteína de reserva. Em certos
legumes, por exemplo, alguns corpúsculos protéicos contêm apenas albumina,
vicilina ou legumina, contudo, muitos contêm vicilina e legumina. Em milho, os
pequenos corpúsculos de proteína no endosperma, contêm, proporcionalmente, mais
zeína do que em corpúsculos maiores. Corpúsculos de proteína na camada de
aleurona deste e de outros cereais, não contêm nenhuma das principais proteínas
de reserva.

Figura 4a*. Corpúsculo protéico no
endosperma de feijão castor mostrando o globóide (G), contendo fitina, a
proteína cristalóide (C) envolta pela matriz protéica (M). O corpúsculo de
proteína é envolto por corpúsculos de óleo.

Figura 4b*. Camada de células de
aleurona, em cevada, com os grãos de aleurona (corpúsculos protéicos) contendo
a proteína globóide (G) e a proteína - carboidrato (P) envoltos pela matriz
protéica. Os corpúsculos protéicos são cercados por corpúsculos de óleo (O). *
Extraídos de Jacobsen (1971).
3. VALOR
PROTÉICO DE LEGUMINOSAS E CEREAIS
Como já mencionado, as proteínas
são de importância essencial na dieta de humanos e animais. Portanto, quando se
considera a dieta do povo brasileiro verifica-se que o feijão é um dos
alimentos básicos, sendo considerado a principal fonte de
proteína sob o aspecto quantitativo e, ocupando o terceiro lugar em
termos de fornecimento de energia (Tabela 11), apenas ultrapassado pelo arroz e
o açúcar (Sgarbieri, 1987, citado por Sá e Buzzeti, 1987).
Tabela 11. Contribuição protéica e
energética dos principais alimentos que compõem a dieta brasileira.
|
Alimentos |
Fonte protéica (%) |
Posição |
Fonte energética (%) |
Posição |
|
Feijão Arroz Carne Bovina Açúcar Pão LeitePasteurizado Macarrão Óleo Carne Suína Farinha Mandioca Fubá de Milho |
28.7 17.9 23.6 - 11.6 6.4 3.7 - - 1.8 3.3 |
1 3 2 - 4 5 6 - - 8 7 |
11.2 24.2 5.3 14.2 9.6 4.1 2.7 8.3 1.7 7.2 4.4 |
3 1 7 2 4 9 10 5 11 6 8 |
Adaptado de Sgarbieri, citado por
Sá e Buzzeti (1987).
As leguminosas de grão são capazes
de produzir muito mais proteína por unidade de área do que os animais. Porém, por
causa de seus rendimentos, nem todas as leguminosas são capazes de suplantar os
cereais, conforme se observa na Tabela 12.
Tabela 12. Eficiência relativa na
produção de proteína de algumas culturas.
|
Cultura |
Rendimento (t/ha) |
Conteúdo protéico (%) |
Rend. médio de nutrição protéica (Kg/ha) |
|
Soja |
1.300 |
38,0 |
306,8 |
|
Feijão |
800 |
22,1 |
83,1 |
|
Ervilha |
1.200 |
22,5 |
130,0 |
|
Amendoim Guandu Caupi Lentilha Trigo Arroz Milho Batata Mandioca |
700 600 400 600 1.500 2.200 2.400 13.800 8.700 |
25,5 20,9 23,4 24,2 12,2 7,5 9,5 2,0 1,6 |
123,9 51,7 51,9 61,4 121,2 122,6 123,2 151,8 121,8 |
Fonte:
Food and Agriculture Organization citado por (Litzenberger, 1973). Adaptado de Vieira (1988).
Vale lembrar que, além de menor concentração
de proteína em seus grãos, os cereais são deficientes em lisina, que é um
aminoácido essencial na alimentação. O conteúdo de lisina é alto nas
leguminosas, fato de muita significação nutricional, quando se leva em conta que os grãos das leguminosas são considerados
suplemento para os cereais (Adams et al., 1985; Vieira, 1988; Marchini et al.,
1994). Por outro lado, os cereais são bem dotados de aminoácidos sulfurados
(metionina e cistina), os quais apresenta-se em
quantidade relativamente baixa nas leguminosas.
Na Tabela 13 comparam-se os teores
de aminoácidos essenciais do arroz e do feijão com os do ovo, geralmente
admitido como padrão.
Tabela 13. Aminoácidos essenciais
no arroz, no feijão e no ovo.
|
Aminoácidos |
Teor (mg/g
de aminoácidos essenciais) |
||
|
Essenciais |
Arroz |
Feijão |
Ovo |
|
Isoleucina |
94
(73) |
100
(78) |
129 |
|
Leucina |
188
(110) |
201
(117) |
172 |
|
Lisina |
85
(68) |
141
(113) |
125 |
|
Aromáticos |
281
(145) |
273
(122) |
195 |
|
Sulfurados |
123
(115) |
46
(43) |
107 |
|
Triptofano |
79
(80) |
113
(115) |
99 |
|
Valina |
121
(86) |
115
(82) |
141 |
Fonte: Souza et
al (1973).
Observa-se que a mistura desses
produtos permite que um contrabalance as deficiências do outro. Estudos realizados
tanto em animais quanto em crianças, têm confirmado que esta mistura possui
melhor valor nutritivo que o arroz ou o feijão sozinho (Souza et al., 1973).
As
leguminosas constituem também importante base energética na alimentação,
contendo grande proporção de carboidratos e pequeno teor de óleo. Segundo
Crawford (1985) as proteínas também podem ser empregadas como fonte de energia.
As leguminosas podem fornecer quantidades variáveis de outros elementos, como por exemplo o caroteno,
tiamina, riboflavina, niacina e ácido ascórbico (Orraca-Tetteh, 1973;
Bressani e Elias, 1980). Também são importante fonte de fósforo e ferro.
Na Tabela 14 encontram-se os
constituintes orgânicos e minerais de 28 cultivares
americana de feijão.
Tabela 14. Média e alcance dos
valores dos constituintes químicos em sementes de 28 cultivares
de feijão.
|
|
Quantidade
presente |
|
|
Constituintes |
Média |
Alcance |
|
Óleo (%) |
0,58 |
0,20 – 1,0 |
|
Açúcar Total (%) |
6,2 |
4,40 – 9,20 |
|
Sacarose
(%) ** |
46,4 |
33,6 – 57,0 |
|
Rafinose
(%) ** |
10,4 |
2,4 – 16,0 |
|
Estaquiose
(%) ** |
43,0 |
33,6 – 64,0 |
|
Zinco (ppm) |
22,3 |
17 – 29 |
|
Boro (ppm) |
15,1 |
12 – 18 |
|
Ferro (ppm) |
92,9 |
69 – 135 |
|
Manganês (ppm) |
11,7 |
6 – 20 |
|
Cobre (ppm) |
9,75 |
8 – 12 |
|
Magnésio (ppm) |
0,16 |
0,13 – 0,18 |
|
Cálcio (ppm) |
0,19 |
0,11 – 0,26 |
|
Fósforo
Potássio (ppm) |
0,40 |
0,28 – 0,50 |
|
Potássio (ppm) |
1,47 |
1,12 – 1,94 |
|
Nitrogênio (ppm) |
3,70 |
2,84 – 4,28 |
(Fonte: Walker e Hymowitz, 1972,
citado por Adams et al, 1985).
Sem
considerar o nitrogênio, as sementes são ricas em potássio (1,47%), enquanto
que o ferro, é o micronutriente mais abundante (92,9
ppm). O óleo é o menor constituinte em sementes de feijão, representando não
mais que 1% do peso das sementes contendo 3% de umidade.
Verifica-se
de maneira geral que, apesar do feijão ser importante fonte de proteína, fonte
energética e fornecer outros elementos essenciais ao organismo, o seu valor
nutricional é ainda melhor, quando é consumido juntamente com um cereal. No
Brasil, a principal fonte protéica da alimentação é derivada da ingestão de
arroz e feijão. Esta mistura tem-se mostrado adequada em teor nitrogenado,
fornece os aminoácidos essenciais e possui digestibilidade ao redor de 80%
(Marchini et al., 1994).
4. CONSIDERAÇÕES
FINAIS
A importância das proteínas reside
no fato de serem as macromoléculas mais abundantes nas células vivas e
constituem 50% ou mais de seu peso seco. Além do que, encontram-se
em todas as células e em todas as partes das células. As proteínas também
ocorrem em grande diversidade; centenas de diferentes tipos podem ser encontrados em uma única célula.
Também, não de deve negligenciar os
diferentes papéis biológicos das proteínas, por serem instrumentos moleculares
através dos quais se expressa a informação genética.
Além, da importância capital na nutrição humana e animal.
Finalmente, com relação às
sementes, o conhecimento da composição química da semente é essencial por
várias razões, principalmente porque contém materiais de reservas e substâncias
de crescimento que influenciam na germinação, vigor das sementes, no
armazenamento e longevidade, bem como no seu uso medicinal e agronômico. Além,
encontram-se reservas que são armazenadas primeiramente como carboidratos, óleo
e proteínas, com o intuito de auxílio à germinação. As sementes caracterizam-se
por apresentarem uma parte das proteínas metabolicamente ativa,
como as enzimas e as nucleo-proteínas, e outra, metabolicamente inativa. Esta
segunda parte representa as proteínas de reserva, cuja composição varia de
acordo com as espécies.
Em resumo, proteínas são os componentes
básicos de toda célula viva. São polímeros de aminoácidos sintetizados
biologicamente na célula e funcionam como enzimas, componentes estruturais e
materiais de reserva.
4.
REFERÊNCIAS
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