SOBRE OS NEMATÓIDES


O que são ?


Onde vivem ?


Os nematóides são vermes de corpo aproximadamente cilíndrico, geralmente esguios e alongados, afilando-se de modo gradual ou abrupto nas extremidades anterior e posterior. Há importantes exceções, em que as fêmeas tornam-se "obesas", com forma aberrante, lembrando um limão, u'a maçã, um rim ou apresentando outra conformação. O tamanho é muito variável. Os nematóides que vivem no solo e nas águas, ditos de vida livre (comedores de algas, fungos, bactérias), bem como os que se especializaram em parasitar as plantas, ocorrendo principalmente associados às raízes destas, medem de 0,3 a 3,0 mm de comprimento; os que se especializaram no parasitismo de animais, vertebrados ou invertebrados, podem medir desde 0,3 mm até vários centímetros (cerca de 15, como na lombriga intestinal do homem, Ascaris lumbricoides), havendo alguns que chegam a atingir metros (até 8, como por exemplo Placentonema gigantissima, parasito da baleia de espermacete).

Vivem em quaisquer ambientes/ecossistemas onde exista água, sendo no geral sensíveis a fortes estresses hídricos. Algumas espécies, no entanto, desenvolveram a habilidade de suportar ambientes com baixa umidade por meses ou anos, como o interior de sementes de plantas mantidas armazenadas. Ocorrem na água salgada, na água doce, no vinagre, no solo, em órgãos vegetais (raízes, tubérculos, caule, folhas, sementes) e tecidos de diferentes tipos de animais. Temperaturas muito baixas ou excessivamente altas também podem afetá-los negativamente, causando-lhes redução na atividade e/ou morte.



Causam doenças ao homem e aos animais domésticos ?


Sim. Há várias espécies que parasitam o homem, especialmente órgãos do aparelho digestivo, sendo algumas das mais cohecidas a já citada lombriga do intestino - Ascaris lumbricoides - que pode causar fraqueza e irritações alérgicas aos doentes nas infecções mais severas, Ancylostoma duodenalis e Necator americanus, responsáveis pelo conhecido "amarelão", Enterobius vermicularis, agente da oxiúrose infantil, Strongyloides stercoralis e outras; Wuchereria bancrofti, parasito do sistema linfático, causa a temida elefantíase e Dracunculus medinensis é a famosa "serpente de fogo", mencionada em passagens bíblicas, tratando-se de parasito sub-cutâneo (da perna, principalmente). Da mesma forma, há muitas espécies que podem causar sérios problemas aos animais domésticos de interesse comercial, como eqüinos, bovinos, caprinos, ovinos e suínos, além das aves. A necessidade de tratamento constante dos animais doentes ou de adoção de medidas preventivas de combate a esses vermes, acaba, com freqüência, onerando os custos de produção e reduzindo os lucros do produtor zootécnico.



E para a Agricultura ?


Causam danos às plantas ?
Causam perdas econômicas ?


Sim. Há vários gêneros incluindo um total de algumas dezenas de espécies consideradas parasitos importantes de plantas cultivadas em todo o mundo. Além dessas, muitas outras espécies são capazes de parasitar plantas, mas sem causar danos relevantes e/ou perdas significativas. Os grupos mais importantes (como os gêneros Meloidogyne, Heterodera, Globodera, Pratylenchus, Radopholus, Rotylenchulus, Nacobbus, Tylenchulus e outros) congregam espécies portadoras de um estilete bucal característico, que possibilita a injeção de substâncias tóxicas no interior de células vegetais e a posterior ingestão de meio líquido nutritivo produzido por elas; parasitam principalmente os órgãos subterrâneos, em especial as raízes, nas quais podem incitar o aparecimento de más formações, a exemplo de engrossamentos típicos como as galhas (induzidas mais comumente por fêmeas de Meloidogyne) ou áreas de tecido desorganizado, já morto, de tonalidade pardo-escura ou negra evidenciando necrose extensiva; também pode ocorrer necrose em tubérculos ou túberas e em fruto hipógeo, como no caso do amendoim.

Os sintomas diretos causados nos sistemas radiculares concorrem com freqüência à manifestação subseqüente de sintomas indiretos ou reflexos na parte aérea das plantas, decorrentes principalmente de maiores dificuldades na tomada e no transporte de água e nutrientes disponíveis no solo pela planta. Além disso, muitas vezes os nematóides constituem-se em fortes drenos metabólicos, espoliando fotoassimilados e utilizando-os para o seu desenvolvimento e reprodução, o que contribui para reduzir, de modo apreciável, a energia para o crescimento da planta. Os ataques costumam ocorrer em áreas mais definidas dentro da cultura, chamadas de manchas ou reboleiras nas quais se observam plantas menos crescidas, de tamanho irregular, muitas vezes amarelecidas (cloróticas), que pouco produzem. Para evidenciar bem a redução no desenvolvimento e na produção das plantas devida aos nematóides, o usual é tratar-se uma parte da cultura, que está com problema nematológico, com produtos químicos adequados, que controlam o nematóide, e manter-se outra sem tratamento algum. Outros sintomas reflexos, mais específicos, podem ocorrer, como a murcha das folhas nas horas mais quentes do dia, o que se observa em fumo, por exemplo, e o tombamento, típico de bananeiras infectadas pelo nematóide chamado cavernícola, Radopholus similis.

As perdas agrícolas devidas a nematóides podem variar muito, dependendo da espécie de nematóide e da cultura hospedeira envolvidas na associação, das condições de solo e clima do país ou da região geográfica onde se localize a área infestada, do tipo de manejo adotado pelo produtor rural, do valor comercial do produto agrícola na época e de outros fatores. Mas, há estimativas de perdas apresentadas por especialistas para certos casos, como o do nematóide das plantas cítricas (laranjeiras e limoeiros), Tylenchulus semipenetrans, que supõe-se causar ao redor de 12% de redução da produção mundial, a cada ano. No Brasil, as perdas variam, também segundo estimativas, de 5 a 35%, em média, para os diferentes tipos de culturas (anuais, semi-perenes e perenes), sendo impossível cultivar economicamente certas plantas em áreas infestadas sem que rigorosas e sistemáticas medidas de controle venham a ser implementadas; é o caso de cenoura em área infestada por espécies do gênero Meloidogyne, de algodão em glebas infestadas por Rotylenchulus reniformis e de tantos outros.



E para saber bem mais sobre os
nematóides daninhos à Agricultura ?


Se você quiser ler e aprender mais sobre os nematóides de importância agrícola, consulte livros-textos nacionais e estrangeiros sobre o assunto e visite as várias páginas da Internet que tratam do assunto, podendo acessar muitas delas diretamente pelos links mantidos na própria homepage da Sociedade Brasileira de Nematologia. Se tiver necessidade e interesse em saber como proceder para descobrir se são os nematóides que estão causando danos e perdas em alguma situação real (cultura no campo possivelmente infestada), procure consultar especialistas em Nematologia Agrícola nas diferentes Instituições de Ensino Superior do País (UFLA/Lavras, UnB/Brasília, UENF/Campos dos Goytacazes, UFPel/Pelotas, UFV/Viçosa, UEM/Maringá, UFG/Goiania, UFRRJ/Seropédica, UFRPE/Recife, FCAV/UNESP/Jaboticabal, UFU/Uberlândia, FCA/UNESP/Botucatu, UFC/Fortaleza, ESALQ/Piracicaba, UFSCar/Araras, UEL/Londrina, FAEF/Garça etc.) ou em centros de pesquisa agronômica (IAC/Campinas; Inst. Biológico/SP, EMBRAPA, IRGA, EMPASC, EPAMIG etc.).


Organizado por Luiz Carlos C. B. Ferraz Homepage SBN